Authors:

Fabiane da Silva de Souza, Cláudia Linhares Sanz, Universidade de Brasília, Brazil.

Abstract:

Entre gesto e fotografia haveria uma relação secreta, segundo Giorgio Agamben. O gesto teria o poder de sintetizar e chamar “ordens inteiras de potências angélicas”; poder que encontra na fotografia o seu lugar, sua hora tópica: o gesto do fotógrafo e o gesto singular a ser colhido ficariam acumulados na fotografia e, ainda que uma fotografia possa conter um inconfundível índice histórico, o poder especial do gesto colhido por uma fotografia estaria sempre por remeter a outro tempo, que se atualiza e é capaz de desmontar a cronologia. O anjo da fotografia é o anjo de um limite, de algo que por pouco poderia nem ter acontecido, mas bastou um clique e um gesto foi imortalizado, convocado a prestar contas. Não havendo o clique, não há desdobramento possível, não há o que ser guardado e transfigurado pelos olhares no tempo. Mas também se só houver cliques, se não houver a leitura demorada e o gesto atento do fotógrafo, o encontro dos gestos com a potência angélica não se condensa. Se não houver o olhar de quem poderia amar a fotografia, a “comunicação” do anjo também não se completa. As fotografias, atualmente, tornam visíveis metamorfoses de um estado fotográfico. São novos gestos que evidenciam ruínas de outros modos de ver e fazer imagens. Novos gestos tornam-se hegemônicos, mas ainda encontramos fósseis viventes de outros estados, que esbarram, por exemplo, no recente hábito de compartilhar fotografias, no presente mesmo em que as coisas acontecem. Estamos vivendo entre a verticalidade de uma experiência temporal efetivada pelo paradoxo da fotografia, que, ao fixar, liberava virtuais de tempos, e um novo hábito, que, de tanto mostrar, de tanto se atualizar, realiza o desaparecimento do invisível, o desmanche de sentidos possíveis e de profundidades temporais.

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